-->
Mostrando postagens com marcador Arte. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Arte. Mostrar todas as postagens

21/09/2012

Centro Histórico do Rio de Janeiro


Quando se fala em Rio de Janeiro, o que vem a mente? Pedra da Gávea, Pão de Açúcar,  Cristo Redentor, Lapa, bossa-nova, samba, Ipanema e por aí vai. Mas já pensou em fazer um passeio por igrejas, espaços culturais e praças? Não?! Olha, é um roteiro diferente e interessante. Que tal conhecer essas dicas e fazer um passeio pelo centro histórico da cidade maravilhosa?

O passeio pelos pontos turísticos pode ser feito a pé e em dias úteis, em horário comercial, quando a maioria das igrejas permanece aberta, a região está mais policiada, há vários táxis em circulação e os restaurantes estão funcionando. Entretanto, nos fins de semana, têm lugar importantes atrações, como as missas e os eventos nos centros culturais (mostras, peças e exposições) e, embora a segurança deixe a desejar e a vivacidade seja menor nas ruas do Centro, nada o impede de realizar o roteiro.

Os pontos turísticos apontados aqui, permitem que os turistas e visitantes conheçam muitas igrejas imponentes e exuberantes e muitos centros culturais instalados próximos a Baía de Guanabara.

Vamos as dicas!

1. Igreja do Mosteiro de São Bento – Expressão máxima do barroco na cidade, a igreja cuja construção data de 1633 a 1690 tem uma fachada austera que esconde um rico interior revestido por talhas de madeira dourada. Os oito magníficos altares laterais ostentam as imagens dos séculos XVII e XVIII. Não deixe de apreciar as delicadas formas dos anjos que adornam seu interior. Na sacristia, destaca-se o Cristo representado no painel Senhor dos martírios, pintado em 1690 por frei Ricardo do Pilar, autor de outros quadros do mosteiro. Aos domingos, às 10 horas, realiza-se a concorrida missa em que os monges entoam cantos gregorianos – para ouvi-los deve-se chegar ao local com bastante antecedência. Endereço: Rua D. Gerardo, 68, Centro, tel. (21) 2291-7122. Todos os dias das 8h às 11h e das 14h30 às18h.




2. Centro Cultural dos Correios - O prédio em estilo eclético que sediaria uma escola profissionalizante do Lloyd brasileiro teve sua construção iniciada por volta de 1920. Porém, antes mesmo da inauguração, em 1922, já havia sido transferido para os Correios, cuja administração funcionou no local até a década de 1980. Após ser desativada, passou por reformas e, em 1993, foi transformado em centro cultural. Preservaram-se elementos característicos da época de sua construção, como o elevador, para três pessoas, além do ascensorista. Exposições de arte gratuita são realizadas em suas salas, enquanto filmes, peças e apresentações de música brasileira de concerto concentram-se em um auditório para duzentas pessoas. O térreo abriga uma pequena galeria para exposições, uma agradável cafeteria e uma agência dos Correios em funcionamento, assim se estiver por lá, aproveite e envie um cartão postal da cidade para um amigo. (Ele vai morrer de inveja, hehehe!). Na praça dos Correios, ao lado, podem ocorrer eventos ao ar livre. Endereço: Rua Visconde De Itaboraí, 20, Centro, tel. (21) 2253-1580. Terça a domingo das 12h às 19h.




3. Casa França-Brasil – O projeto – primeiro registro do estilo neoclássico na cidade – é do arquiteto francês Grandjean de Montigny, que veio ao país em 1816 com a Missão Francesa. (A Missão Francesa foi chefiada pelo intelectual Joaquim Lebreton e trouxe diversos artistas com Nicolas Taunay e Jean-Baptiste Debret, além do arquiteto Grandjean. Essa missão teria sido uma iniciativa de dom João VI para formar no Brasil a Academia de Artes e Ofícios e inaugurar o ensino sistemático da arte. Lebreton trouxe consigo uma pequena coleção de quadros, que deu origem ao acervo existente no Museu Nacional de Belas-Artes.) Inaugurado em 1820 como praça do comércio, o espaço foi utilizado depois como Alfândega, arquivo de bancos e finalmente, de 1956 a 1978, como sede do Segundo Tribunal do Júri. Hoje funciona como centro cultural, sem acervo próprio, e abriga exposições ao longo do ano. Para saber sobre a programação visite o site Casa França-Brasil. Merece apreciação as 24 colunas em estilo dórico (de madeira com pintura de trompe l’oeil que imita mármore) que demarcam a área sob a grande abóboda central com clarabóia no alto. Há uma pequena livraria, café e um cinema. Nos fundos da Casa funciona o Arte Temperada Bistrô e Buffet, com opções de pratos franceses e alguns brasileiros, e abre diariamente (tel. (21) 2253-2589, todos os dias das 12h às 19h). Endereço: Rua Visconde de Itaboraí, 78, Centro, tel. (21) 2253-5366, terça a domingo das 12h às20h.




4. Igreja da Ordem Terceira do Carmo – Inaugurada por volta de 1770, é uma das únicas igrejas da cidade cuja fachada é totalmente revestida de pedra. Entre os destaques, seis altares que representam os passos da Paixão de Cristo e, na sacristia, um lavabo de mármore assinado por Valentim da Fonseca e Silva, o mestre Valentim. No altar-mor há uma imagem rara: a da santa Emerenciana, tida como bisavó de Jesus, representada como a filha Santa Ana (mãe de Maria e avó de Jesus) em seus braços. Endereço: Rua 1º de Março, s/n, Centro, tel. (21) 2242-4828. Segunda a sexta das 8h às 16h; sábado das 8h às12h.




5. Igreja Nossa Senhora da Candelária – A atual construção erguida entre 1775 e 1898, substituiu a original do fim do século XVI. O interior é revestido de mármore e, no teto da nave, há painéis de Zeferino da Costa, executados por volta de 1880, que narram a história da igreja. As belas portas de bronze do escultor português Antônio Teixeira Lopes foram instaladas em 1901. Em frente pode se ver a escultura Mulher com ânfora de autoria de Humberto Cozzo. Endereço: Praça Pio X, Centro, tel. (21) 2233-2324. Segunda a sexta das 8h às 16h; sábado das 8h às12h e domingo das 9h às 13h.




6. Igreja Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores – Situada na histórica rua do Ouvidor, a modesta igreja é considerada por muitos a mais charmosa da cidade – internamente toda esculpida com madeira, possui clarabóia na sacristia. Erguida por mascates em 1750 como um oratório público, passou por ampla remodelação no século XIX. Em 1893, durante a Revolta da Armada – sublevação da Marinha contra o governo -, uma bala de canhão endereçada ao Palácio do Itamaraty atingiu o campanário e derrubou uma imagem de mármore de Nossa Senhora. A estátua (qe escapou incólume) e o artefato que a atingiu estão na sacristia. Aproveite a visita para admirar na rua os sobrados com fachadas decoradas e o calçamento de paralelepípedos. Endereço: Rua do Ouvidor, 35, Centro, tel (21) 2509-2339. Segunda a sexta das 8h às 14h.




7. Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) - Erguido entre 1880 e 1906, o prédio onde hoje funciona o CCBB foi projetado em estilo neoclássico por Francisco Joaquim Bethencourt da Silva, seguidor de Grandjean de Montigny. Construído para sediar a Praça do Comércio (espécie de Bolsa de Valores da época), tornou-se propriedade do Banco do Brasil na década de 1920 e, desde 1989, abriga o centro cultural. Nele ocorrem algumas das atrações mais respeitadas da cidade, entre exposições de arte de qualidade, eventos musicais e peças de teatro. Funciona também como ponto de encontro, lazer e happy hour, pois dispõe de cinema, biblioteca, livraria e restaurante. Repare na arquitetura do prédio, no belo hall central e no requinte das colunas e dos ornamentos. Endereço: Rua 1º de Março, 66, Centro, tel. (21) 3808-2020. Terça a domingo das 10h às 21h.




8. Real Gabinete Português de Leitura - A mais espetacular biblioteca de obras portuguesas fora de Portugal, com pelo menos 350 mil títulos, fica num edifício datado de 1837 em estilo neomanuelino. O imponente e belo salão de leitura, de pé-direito alto, deixa à mostra a estrutura metálica decorada com motivos medievais dourados, que termina em um vitral de ferro e vidro que cobre todo o salão. As mesas de leitura são de jacarandá trabalhado. Entre as raridades, estão oas Ordenações de dom Manuel, por Jacob Cromberger, editadas em 1521; manuscritos de Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco; e o Dicionário de língua tupy, de Golçalves Dias. Parte do acervo pode ser visitada, à exceção das obras raras. Endereço: R. Luís de Camões, 30, Centro, tel. (21)2221-3138. Segunda a sexta de 9h às 18h.




9. Centro de Arte Hélio Oiticica - O prédio é uma imponente construção do século XIX, em estilo neoclássico e foi concebida para receber o Conservatório de Música e hoje abriga a coleção de um dos artistas brasileiros mais radicais entre os anos de 1960 a 1970, criador dos parangolés, obras de arte multicoloridas que podem ser vestidas como capas. Em suas seis galerias ocorrem algumas exposições temporárias de artistas consagrados. Endereço: R. Luís de Camões, 68, Centro, tel. (21) 2232-1104. Terça a sexta das 11h  às 18h; sábado, domingo e feriados das 11h ás 17h.




10 Igreja de São Francisco de Paula – Originalmente uma ermida que se tornou capela e depois igreja, tem a pedra fundamental datada de 1759, embora só tenha ficado pronta em 1865. Apresenta fachada de traços barrocos, com frontão curvilíneo em cantaria, e apesar de mal conservada e cercada de vendedores ambulantes, merece ser visitada pelas surpresas que podem ser admiradas em seu interior, como os vitrais vindos de Munique, e os ornamentos feitos por Mestre Valentim na capela-mor, os entalhes de Antônio de Pádua Castro e as pinturas de Vítor Meireles. Endereço: Largo de São Francisco, s/n, Centro, tel. (21) 2509-0067. Segunda a sexta das 9h às 13h.




11. Espaço Cultural da Marinha - Tem destaque o navio-museu Bauru, o submarino-museu Riachuelo e a galeota a remo de 1808, usada pela família imperial. Há ainda instrumentos de navegação e objetos de naus que naufragaram. O local oferece visita guiada à ilha Fiscal, com interessantes construções neogóticas e onde foi realizado o último baile da monarquia, dias antes da proclamação da República. Endereço: Av. Alfredo Agache, s/n, Centro, tel (21) 2104-6025. Terça a domingo das 12 às 17h. Passeios à ilha Fiscal: quinta a domingo às 13h, 14h30 e 16h.

12. Paço Imperial – Construída em 1743, este palácio em estilo colonial serviu como residência dos vice-reis, foi sede do governo português a partir de 1808 com a chegada de Dom João e sua corte, assistiu a elevação da colônia à condição de Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves em 1815 e finalmente transformou-se em sede do governo imperial a partir de 1822. O prédio, tombado como patrimônio histórico, foi palco de acontecimentos importantes, como a aclamação de dom João VI como rei de Portugal, o Dia do Fico e a assinatura da Lei Áurea. Após a Proclamação da República, foi sede dos Correios e Telégrafos; restaurado em 1985, passou a ser utilizado como centro cultural, com boa programação de arte contemporânea e sala de cinema. Para saber da programação acesse Paco Imperial (www.pacoimperial.com.br). Há ainda o sebo Livraria Imperial, com acervo de artes e ciências humanas (tel. (21) 2533-4537. Segunda a sexta das 9h às 20h; sábado das 11h às 17h), a loja de música Arlequim (tel. (21) 2240-9398. Segunda a Sexta das 9h às 20h; sábado das 10h às 17h) e o Bistrô do Paço (tel. (21) 2262-3613. Todos os dias das 11h às 19h). Endereço: Praça 15 de Novembro , 48, Centro, tel. (21) 2533-4491. Terça a domingo das 12h às 18h.



13. Igreja Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé - Erguida em 1761, ostenta em seu interior talha em estilo rococó, de mestre Inácio Ferreira Pinto, altar-mor com entalhes em prata lavada, lavatório em mármore e teto decorado com majestosos painéis. Nela, foram realizadas as mais importantes cerimônias católicas da cidade, como a missa de coroação de dom Pedro I, o batizado e o casamento de dom Pedro II e da princesa Isabel. Infelizmente o exterior sofreu alterações, perdendo muitos elementos originais. Endereço: Rua 7 de Setembro, 15. esquina com a Rua 1º de Março, Centro, tel. (21) 2242-7766. Segunda a sexta e todo primeiro sábado do mês ads 8h às 16h.




14. Praça Quinze e Estação das Barcas – A praça Quinze de Novembro guarda relíquias históricas, como o Paço Imperial e o chafariz do Mestre Valentim, em forma de pirâmide, construído em 1789, com mármore e gnaisse (pedra de galho), para substituir um primeiro, datado de 1750. Da praça, vê-se também o pequeno Arco do Teles, uma passagem construída pela família Teles de Meneses no século XVIII. A Estação das Barcas, onde se situava o antigo Cais Pharoux, porta de entrada e saída da cidade, foi erguida no século XIX, com balsas para Niterói. Hoje, faz a ligação entre Rio, Niterói e Paquetá e funciona 24 horas, com saídas regulares. Confira os horários no site Barcas S/A (www.barcas-sa.com.br) ou ligue para (21)4004-3113. No centro da praça está o Monumento ao General Osório, bronze do escultor Rodolfo Bernardeli feito entre 1888 e 1894.


15. Igreja Nossa Senhora do Bonsucesso – No século XVI, a fundação da Santa Casa de Misericórdia impulsionou a construção de uma pequena capela de barro, sob a administração do hospital. Desde então, a igreja, também conhecida como Nossa Senhora da Misericórdia e Santa Isabel, sofreu inúmeras reformas, sobretudo entre os séculos XVII e XVIII, quando recebeu o nome atual. A fachada é fruto de uma grande reconstrução do século XIX e XVIII., quando recebeu o nome atual. a fachada é fruto de uma grande reconstrução do século XIX, que também acrescentou uma cúpula a capela-mor. No interior, destacam-se os retábulos do século XVII, que são os mais antigos da cidade, e o púlpito, oriundos do antigo Colégio dos Jesuítas no morro do Castelo, demolido em 1922. Endereço: Largo da Misericórdia, s/n, Centro, tel. (21) 2220-3001. Segunda a sexta das 7h às15h30.




O Rio de Janeiro guarda muitas surpresas e também muita história que é contada através de seus casarões antigos, igrejas, praças, museus entre outros pontos turísticos. No primeiro post sobre o Centro Histórico do Rio de Janeiro, falamos sobre algumas atrações presentes no centro e que muitos turistas, que visitam a Cidade Maravilhosa, esquecem que existe.

Continuando com as dicas sobre o centro histórico do Rio de Janeiro, vamos dar mais sete dicas legais além de 3 dicas de restaurantes e bares que também tem história para contar.
Depois de andar tanto, uma parada para recarregar as baterias é obrigatória. As estreitas e históricias ruas do Centro é recheada por botecos e restaurantes, sobretudo os de influência portuguesa e muitos tem mais de cem anos de existência. Então, que tal visitar e saborear algo nos centenários botequins do centro? Para fechar essa matéria, nada melhor do que dicas sobre restaurantes e bares situados bem próximos dos pontos turísticos do centro. Aí vão três preciosas dicas.

1. No tradicional e agradável Rio Minho, aberto em 1884, pode-se saborear um petisco no balcão enquanto se admiram seus azulejos. O lugar ganhou fama por servir pratos como a sopa Leão Veloso, à base de frutos do mar. Endereço: Rua do Ouvidor, 10, tel. (21) 2509-2338. Segunda a sexta das 11h às 16h.




2. O Bar do Luiz aberto em 1887 pelo alemão Adolf Rumjaneck, é uma instituição carioca. Desde 1927 no mesmo endereço, oferece chope gelado, cozinha alemã, além de embutidos, frios e carnes variadas. Ari Barroso e Bezerra da Silva foi alguns de seus frequentadores. Endereço: Rua da Carioca, 39, tel. (21) 2262-6900. Segunda a sábado das 11h às 23h30; domingo de 12h às 18h




3. O português Panafiel, fundado em 1913, com ambiente simples traz pratos fartos, e atrai para o almoço aqueles que querem saborear o arroz de lula e de pescadinha, o mocotó à portuguesa, a dobradinha e o bacalhau com arroz e brócolis. Endereço: Rua Senhor dos Passos, 121, tel. (21) 2224-6870. Segunda a sexta as 11h às 15h30.




Amigos,

Espero que tenham gostado... e curtam o passeio...

30/09/2011

Banksy: o anônimo mais famoso do mundo





O choro da senhora parou a rua. Sua casa fora pichada com uma paródia da família real - e a prefeitura, insensível, pintou por cima. "Era parte de nossas vidas. E agora, se foi", afirmou à BBC Sofie Attrill, 50 anos e recém-ex-proprietária de um grafite de Banksy, o artista de rua mais badalado da história. A prefeitura lamentou o erro. 
O episódio, ocorrido no leste de Londres em setembro de 2009, mostra como anda alta a cotação do grafiteiro. Se resolvesse vender a obra, pintada em 2003, Ms. Attrill perderia uma parede e ganharia muito dinheiro - não seria a primeira. Já as desculpas oficiais mostram que Banksy recebeu um privilégio inédito: quase-licença para pichar. Na verdade, se as autoridades inglesas quisessem se entender com ele, seria complicado: sua identidade é secreta. 
Banksy tornou-se o anônimo mais famoso dos últimos anos. Seu trabalho mudou o olhar sobre a arte de rua. Com spray, faz críticas políticas, à sociedade e à guerra, mas sempre com um humor sombrio e uma sacada. Também se especializou em ações espetaculares, como na vez em que pôs um boneco vestido de prisioneiro de Guantánamo dentro da Disneylândia. Com prováveis 40 anos, ele segue experimentando: é o diretor de Exit Through the Gift Shop ("Saída pela loja de presentes"), documentário sobre um francês que o persegue, indicado ao Oscar.  
Hoje suas obras se espalham por Londres, Los Angeles, Nova York, até no muro que separa Israel e Palestina. Mas tudo começou em Bristol, no interior da Inglaterra, onde Banksy já dava sinais de que iria longe. 
Anonimato e fama
"Ele quer superioridade absoluta sobre qualquer coisa com a qual lida. Quando estava em Bristol, ele não queria dividir o topo com ninguém. Nem em Londres", diz o grafiteiro Graham Dews, o Paris, que o encontrou pela primeira vez em 1996. Nessa época, Banksy começou a fazer estêncil, em que o desenho é formado por buracos numa superfície. Novidade nas ruas britânicas, a técnica que o consagrou foi adotada por segurança: pintando direto na parede, ele demorava tanto que a polícia chegava.  
Foi no bairro de Stokes Croft, onde é possível ver alguns desses primeiros trabalhos, que a SUPER conversou com Paris. "Conhecendo ele desde Bristol, acho engraçado o mito sobre sua identidade", diz Paris. Uma busca na internet resulta em diferentes nomes e rostos (ver quadro Quem é Banksy?, na pág. 82). E o boato de quw há um coletivo por trás do nome? "É uma pessoa só", garante Paris. "Mas com um grupo de 10 a 20 colaboradores próximos. Chegam a montar tapumes para ele pintar escondido." 
Com seu rosto protegido por seus fiéis escudeiros, o artista foi muito além de pintar figuras irônicas e frases de efeito em paredes de prédios. Deixou mensagens em jaulas de zoológico - "Quero sair. Chato, chato, chato", escreveu na jaula de um elefante. Acrescentou obras a museus - em 2005, sua pintura penetra de homens da caverna caçando um carrinho de supermercado acabou indo pro acervo permanente do Museu Britânico. Trocou CDs da Paris Hilton por versões remixadas e com encartes adulterados - em um, ela acompanhava mendigos. Produziu notas de £ 10 substituindo a rainha Elizabeth pela princesa Diana, hoje vendidas por £ 200 - no documentário, ele comenta: "Foi como se houvesse falsificado dinheiro, posso ir pra cadeia por isso".  
Mas foi pelas ações explicitamente políticas, como pintar painéis irônicos no lado palestino do muro que separa a Cisjordânia de Israel e plantar o guantanamero na Disney, que Banksy virou "o cara". Mais especificamente, o cara que corria da polícia e agora vendia quadros pra Christina Aguilera - ela pagou £ 25 mil pela imagem de uma rainha Vitória lésbica.  



Grana e crítica
Quando faz exposições, Banksy coloca obras para vender. Quando faz um grafite na rua, não - o que não impede as obras de serem vendidas. A partir de 2007, tornou-se cada vez mais comum seus trabalhos saírem diretamente dos muros e paredes para as casas de leilão. Indignado, ele chegou a colocar em seu site a imagem de pessoas dando lances em uma figura que dizia "não acredito que vocês idiotas vão mesmo comprar esta merda".  
Se a dona da abertura do texto não quis lucrar com o trabalho alheio, já houve quem aproveitou. Em Bristol, os donos de uma casa com um mural de Banksy em uma parede não colocaram o imóvel à venda em uma imobiliária, mas em uma galeria de arte, listada como "mural com uma casa anexa". Já em Liverpool, uma casa caindo aos pedaços alcançou o preço notável de R$ 300 mil, só porque em um dos lados do prédio há um gigantesca cabeça de rato desenhada pelo grafiteiro famoso.  
"Não é sobre o hype, não é sobre o dinheiro", Banksy diz em seu documentário. Mas, mesmo idealista, anônimo e contra o sistema, Banksy está inserido no mundo da arte. "Ele é parte de uma geração que olhou para fora do sistema convencional de galerias, no jeito de exibir uma obra", observa Gill Saunders, curadora do museu Victoria & Albert, em Londres, que tem 4 peças suas. Na imprensa, ficou popular a expressão "o efeito Banksy", para descrever o interesse em outros artistas de rua que vieram na carona do seu sucesso.  
A escalada em popularidade não foi marcada apenas pela conquista de fãs, mas também por críticas. Banksy pautou o debate no Reino Unido sobre o grafite ser classificado como arte ou mero vandalismo. "Não há nada de interessante sobre Banksy. Quando vi suas pinturas por aí, pensei: é um pouco de entretenimento em um lixo no muro. Agora se supõe que a gente tenha que ver isso seriamente. Mas é óbvio que não é nada", diz o crítico de arte Matthew Collings, no documentário B Movie. 
Já a organização Keep Britain Tidy ("Mantenha a Grã-Bretanha arrumada") considerava Banksy um vândalo, mas mudou sua posição ao constatar em uma pesquisa que a maioria da população diferenciava tipos de grafite entre arte e vandalismo. Há mais de 50 anos combatendo de carros abandonados a chiclete jogado no chão, o grupo admite agora que o artista virou um significativo ícone cultural. Mas deixa claro - ele é uma exceção.  
Verdade e mentira
Todos apostam que Banksy poderá ser encontrado em 27 de fevereiro, em Los Angeles - não necessariamente na cerimônia de entrega do Oscar, mas armando algo no entorno. "Ficaria surpreso se a oportunidade fosse desperdiçada", diz o designer Tristan Manco, autor dos livros Stencil Graffiti e Graffiti Brasil e companheiro dos tempos de Bristol.  
Mas mesmo que não vá nem mande ninguém passar spray em uma estátua dourada, talvez ele já tenha aproveitado a oportunidade. Todos que assistem a Exit Through the Gift Shop ficam com uma pulga atrás da orelha. Sem revelar detalhes, a pergunta é: será que é tudo verdade? É possível que Banksy tenha aplicado o seu maior golpe: convenceu Hollywood de que sua ficção é realidade. 
Quem é Banksy 
Banksy se chama Robin Banks e nasceu em Bristol em 28 de julho de 1973, de acordo com o tabloide inglês Daily Mail, mas ninguém conseguiu comprovar. A revelação de sua identidade esteve em leilão em janeiro no site e-Bay, mas a oferta foi retirada. A SUPER contatou a assessoria do artista, mas não recebeu retorno. Se entrevistá-lo é missão cumprida para poucos jornalistas, tentar conseguir informações com quem já trabalhou com ele resulta em pedidos de entrevista negados, e-mails sem retorno e respostas evasivas. O designer Tristan Manco defende que isso mantém o foco na arte: "Em um mundo obcecado com celebridades, é alentador que Banksy não seja julgado pelo que está vestindo no dia tal. É importante que faça o que faz em segredo".  
Arte em partes
Nascido no interior da Inglaterra, Banksy passou anos desenvolvendo sua técnica até se lançar em trabalhos maiores e mais polêmicos - sem nunca revelar sua identidade. 
"Não podemos fazer nada para mudar o mundo até que o capitalismo desmorone. o consolo é fazer compras." 
Anos 70 - O artista que adotaria o pseudônimo Banksy nasce em Bristol, a 190 quilômetros de Londres. 
Anos 80 - Em meio à efervescente cena underground de Bristol, o adolescente arrisca suas primeiras pichações. 
Anos 90 - Banksy chama atenção por usar estêncil em seus grafites. Além da técnica garantir rapidez, consta que ele era meio lerdo com spray.  
2003 - Antes de ficar famoso, já assinava a capa do álbum Think Tank (2003), da banda Blur. Chama atenção com a exposição Turf War, que tem ovelhas, porcos e vacas pintados. Ele repetiria a estratégia em várias exposições seguintes - em Los Angeles, fez um elefante combinar com o papel de parede.   
2005 - Pinta imagens de um mundo perfeito no lado palestino do muro que separa o território de Israel. "Este muro foi considerado ilegal pela ONU, mas garante um feriadão para um grafiteiro", escreveu em seu site. Jo Brooks, sua porta-voz, recorda que "as forças de segurança israelenses chegaram a atirar para o alto, e houve um bocado de armas apontadas para ele". 
2006 - Entra como turista na Disneylândia, na Califórnia, levando na mochila um boneco inflável vestido com o uniforme dos detentos da prisão de Guantánamo. Burlando a segurança, infla o boneco e o posiciona perto de uma montanha-russa de trenzinho. Demorou uma hora e meia até que o boneco fosse retirado.  
2007 - Sua obra Space Girl & Bird é vendida por £ 288 mil (cerca de R$ 776 mil). Damien Hirst, Christina Aguilera, Brad Pitt e Angelina Jolie estão entre seus admiradores. 
2008 - O jornal britânico Daily Mail afirma ter revelado a identidade de Banksy, publicando uma foto: seu nome seria Robin Banks. A informação é negada. 
2009 - A exposição Banksy vs Bristol Museum, em sua cidade natal, atrai cerca de 300 mil pessoas em 12 semanas. É uma "apropriação do museu": ele faz suas obras interagirem com o acervo permanente.
2010 - Faz abertura polêmica para Os Simpsons, em que asiáticos encaram péssimas condições de trabalho para produzir o desenho. Aparentemente, nada foi censurado.
2011 - Exit Through the Gift Shop, dirigido por Banksy, é indicado ao Oscar de melhor documentário. Seus fãs aguardam algo especial para a cerimônia de premiação, em 27 de fevereiro.



Maiores Informações Em: