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21/09/2011

Guns n´ Roses - Rock In Rio 4 - 02/10/2011 - Parte 3

Por Wilson Hebert 
Futebol e Variedades

Na primeira parte contamos como foi o início da banda, passando por dificuldades, precisando vender até equipamentos para voltar pra casa. Na segunda parte, o auge, o sucesso, as brigas, as discussões e as intermináveis polêmicas. 
 
Agora nessa terceira e última parte, trazemos mais confusões envolvendo os integrantes da banda e um inesperado declínio, culminando com uma considerável diminuição nas badalações em torno dos shows, porém, mostrando que Axl e Cia continuam na memória de muitos fãs. Acompanhe essa fase mais recente da banda aqui nesse post. 
 
Primeira Guerra: Axl x imprensa dos Estados Unidos e da Inglaterra 
 
Com a turnê chegando ao seu fim, no último show acontecido em Buenos Aires, uma cena chamou atenção. Ao se despedir do público na ocasião daquela série de apresentações, todos os componentes do Guns chegaram à beirada do palco, abraçados, mostrando que apesar de tudo, eles continuavam unidos... Só que na verdade era unidos como nunca e brigando como sempre, tanto que na viagem de volta da Argentina para os Estados Unidos, Izzy Stradlin anunciou aos seus companheiros que estava deixando a banda por não aguentar mais a pesada rotina de shows. De fato, a Use Your Illusion Tour foi uma das maiores turnês já feitas por uma banda de rock. 
 
De volta ao seu país, Axl enfrenta a primeira crise séria da banda, que abriria caminho para várias outras. E esse primeiro embate foi justamente contra a imprensa norte-americana e a inglesa... Após dizer que na sua avaliação os jornalistas brasileiros eram os piores que ele tinha visto, já que na sua passagem pelo Brasil ele enfrentou duas situações desagradáveis, uma em São Paulo e outra no Rio de Janeiro, como foi revelada na parte 2 desse especial, Axl enfrentou uma onda de pesadas críticas contra a sua pessoa, por ter citado na música Get in the Ring nome de vários jornalistas famosos dos Estados Unidos e da Inglaterra, no qual ele, o vocalista do Guns, gostaria de acertar as contas. 
 
 
A tradução do nome da música é “Entre no Ringue”. Na letra, Axl desafia inúmeros jornalistas para a briga, os ofende com palavrões e debocha da honra dos respectivos profissionais. No videoclip que pode ser visto acima, dá para perceber imagens de shows e outros clips da banda. O sentido é o de mostrar que o trabalho do Guns seria mais bem sucedido e de maior competência do que dos jornalistas que, segundo a música, apenas sabem criticar e se preocupar com os outros. 
 
Só que o que parecia algo particular entre Axl Rose e jornalistas, ganhou proporções maiores que as imaginadas pelo vocalista da banda. Os jornais, revistas e demais veículos de comunicação em que esses profissionais trabalhavam e que também tem seus nomes citados na música, tomaram as dores dos seus funcionários e passaram a adotar uma posição contrária à Axl. Foi nesse momento que o Guns passou a ter sua imagem arranhada perante a opinião pública não apenas americana, mas também britânica. 
 
Segunda Guerra: Axl x sua ex-esposa 
 
Axl já havia brigado com alguns fãs. Discutia quase todos os dias com os companheiros de banda e tinha entrado numa guerra declarada contra a imprensa. Faltava quem? Um fato que ainda não trouxemos nesse especial, foi que Axl havia se casado e, ao mesmo tempo, mantinha uma relação extra-conjugal. Resultado: briga com as mulheres da sua vida.



O pior disso tudo aconteceu em 1994, quando Axl Rose foi surpreendido tendo que responder a mais uma ação judicial nas várias que colecionava na sua vida. A sua ex-esposa, Stephanie Seymour, entrou com uma representação na justiça por conta de agressões sofridas do seu ex-companheiro. O líder do Guns teve que pagar a maior indenização de todas as que pagou durante sua vida de eterno processado. A alta quantia sequer chegou a ser divulgada para preservar a moça que se separava de Axl Rose. 
 
Guns lança CD de covers e se depara com uma enxurrada de críticas




Não precisa nem dizer qual foi a reação da imprensa diante deste processo, né... Praticamente todos os jornais dos EUA e da Grã Bretanha se posicionaram favoráveis a ex-esposa de Axl Rose. Primeiro porque nesses países, um crime como este, acima de tudo, é tido como algo totalmente amoral e imoral. E segundo porque a vontade em jogar o público contra o líder do Guns era gigantesca por parte da mídia. 
 
Eis que nessa onda de crucificação, Axl Rose tem uma idéia que tinha tudo pra ser brilhante. Resolve convidar inúmeras bandas e músicos a ficarem ao seu lado e resolve os homenagear lançando um CD apenas com covers de outros grandes nomes do rock mundial. Nasce o “The Spaghetti Incident”. 
 
Uma macarronada acidental seria a junção das bandas para uma briga contra os jornalistas, idéia que passou a ser buscada a todo instante por Axl. Acontece que pra sua surpresa, embora os músicos tenham aprovado a idéia do CD e liberado tais canções para regravação, nenhum assumiu em público qualquer posição favorável ao líder do Guns nessa briga. 
 
 
Os fãs da banda curtiram o disco. Mais de 10 milhões de cópias foram vendidas em todo o mundo. A música Since I Don't Have You, cover da banda The Skyliners, foi o grande sucesso do trabalho. Mas isso foi a contramão da recepção feita pela crítica especializada. 
 
Tomando cuidado para não respingar nenhuma crítica contra os músicos autores das músicas regravadas no disco, a imprensa se preocupou em concentrar toda e qualquer opinião em cima do vocalista do Guns N’ Roses. E foi uma enxurrada de críticas. Algumas delas davam conta de que a banda estava chegando ao seu fim, demonstrando não ter mais capacidade de criação. Outras denotavam uma suposta falta de caráter do líder do Guns, que, segundo uma publicação da Revista Spin, quando não fazia músicas com xingamentos e nem agredia sua ex-esposa, “roubava” o trabalho dos outros músicos. 
 
Terceira Guerra: integrantes do Guns x eles mesmos 
 
Um fato que ficou reservado durante algum tempo, foi a total reprovação dos demais integrantes da banda quanto ao disco. Ninguém queria lançar aquele trabalho, a não ser Axl Rose, que praticamente obrigou seus companheiros e participarem das gravações. Em algumas delas, Slash, quem mais encarava Axl, chegou a abandonar o estúdio enquanto os outros tocavam. As discussões entre os dois ficavam cada vez mais séria. 
 
E com a onda de “queimação de filme” por parte da mídia, com um tempo, o sucesso de vendas do disco obteve uma queda tão grande que a direção da Geffen Records ficou assustada, pensando até em alguma medida de marketing para tentar recuperar o prestígio da banda.
 
E em meio às inúmeras brigas que aconteciam numa freqüência cada vez mais intensa, Gilby Clarke, que havia entrado na banda no lugar de Izzy e participou somente do The Spaghetti Incident, resolveu deixar seus companheiros, demonstrando total descontentamento com os mandos e desmandos não apenas de Axl, mas também de Slash, que tinha recusado as composições de Clarke e convencido Axl Rose a também não aceitá-las. 
 
Para escolher um substituto, outro entrave entre Axl e Slash. O vocalista e líder da banda sequer consultou os demais integrantes e num belo dia chegou aos estúdios apresentando Paul Tobias para o lugar de Clarke. Slash não gostou, reclamou, e Axl ignorou a reclamação do guitarrista principal da banda. 
 
 
Com uma série e preocupante crise, a Geffen Records conseguiu que a banda fizesse uma música para o filme Interview with the Vampire. Foi outro cover: “Sympathy for the Devil”, que quer dizer “simpatia pelo demônio”. Tudo a ver com o momento que a banda atravessava... 
 
E ao invés de amenizar a situação, a música serviu para pôr fim numa das mais marcantes parcerias do Hard Rock. Já no ano de 1995, Após ter a discussão mais grave de todas com Axl, Slash convocou a imprensa para uma coletiva. Para piorar a situação do vocalista do Guns, o guitarrista da banda anunciava seu desligamento do grupo por “não concordar com o jeito explosivo, ditatorial e inflexível” de Axl Rose. Isso foi quase motivo de orgasmo para os jornalistas, que puderam reacender a ira contra o cantor e publicar mais um montante de artigos contra o músico. Por conta disso, até hoje os dois não se falam. Em 1997, Axl chegou a declarar que um ex-amigo seu teria virado seu inimigo. Seria esse Slash... 
 
Só que essa pesada declaração tem total sentido e motivo para ser compreendida. Um ano antes, em 1996, Matt Sorum pediu demissão da banda. Motivo? Segundo o próprio, ele estava se solidarizando com Slash e também assumindo que não agüentava mais trabalhar com Axl. Em 97, meses antes de Axl classificar Slash como inimigo, foi a vez de Duff McKagan sair da banda, fazendo com que Axl Rose fosse o único integrante original a permanecer no Guns. 
 
Tempos de inúmeras mudanças na banda 
 
Axl Rose estava decidido a não deixar a banda encerrar suas atividades. Promoveu o guitarrista de turnê, Robin Finck, para o lugar de Slash. Para substituir Duff, veio o ex-baixista do The Replacementes, Tommy Stinson. Para a batera chegou Josh Freese. Para fechar a nova formação, Axl também convidou o multi-instrumentista Chris Pitman, que inicialmente chegava para assumir os teclados. Com esses nomes, o Guns começava, já em 1998, a gravar um novo álbum de estúdio. 
 
E foi nesse ano que a banda lançou uma nova música, fato que não ocorria desde 1994. Era a “Oh My God”. Essa canção também teve a participação dos guitarristas Dave Navarro, (ex-Red Hot Chilli Peppers e Jane's Addiction), e Gary Sunshine. 
 
Mas a música não conseguiu levantar a banda e, em 2000, dois músicos dessa nova formação resolveram abandonar o barco. Robin Fick retornou ao Nine Inch Nails e o baterista Josh Freese resolveu tirar “férias”. Para substituí-los, chegaram respectivamente o guitarrista Buckethead e o baterista Bryan “Brain” Mantia. 
 
Em 2001, enfim, o Guns voltou aos palcos. Foram três shows em Las Vegas, e, em seguida, um momento que parecia ser definitivamente a do ressureição: a apresentação no Rock in Rio 3, marcado como o de maior público na história da banda, com cerca de 250 mil pessoas, misturando sucessos com músicas novas.




Mas o que foi positivo acabou sendo sucedido para um fato bastante negativo. A promessa do novo álbum se dissolveu juntamente com a World Tour 2002, com a turnê cancelada e o álbum adiado. 
 
Em 2002, Paul Tobias abandonou a banda. Foi substituído por Richard Fortus, ex-Love Spit Love. O grupo seguiu com shows em agosto na Europa e Ásia, seguidos por uma aparição surpresa no MTV Video Music Awards. 
 
Em Novembro, começaram nova turnê americana, mas o primeiro show, em Vancouver, foi cancelado pelo fato de Axl não conseguir ir para o Canadá (o descontentamento do público foi grande). Dezesseis shows se seguiram, esgotando-se em mercados maiores como Nova York e não vendendo bem em mercados menores. Um show na Filadélfia chegou a ser cancelado porque Axl supostamente tivera problemas repentinos de saúde. Os 15 mil fãs presentes se revoltaram e destruíram o local, e o resto da turnê foi cancelada. 
 
Geffen Records tenta salvar o fim melancólico




Buckethead saiu em Março de 2004, forçando o cancelamento do show no Rock in Rio Lisboa. Nenhum guitarrista substituto foi anunciado. No mesmo mês, a Geffen lançou a coletânea Greatest Hits, já que o novo álbum de estúdio Chinese Democracy não saía há 11 anos. Rose demonstrou seu desprazer com o álbum, já que a lista de faixas fora feita sem seu consentimento, e tentou impedir seu lançamento. Mas o líder da banda não tinha o mesmo prestígio de outrora. Não foi ouvido, o disco foi lançado e alcançou um grande sucesso de vendas. 
 
Em 2006, o guitarrista Ron "Bumblefoot" Thal foi contratado, e a banda fez uma turnê com shows na Europa (inclusive no segundo Rock in Rio Lisboa) e América do Norte, estendida para México, Ásia e Oceania em 2007. Foram convidados a tocar no Live Earth - mas no Brasil, sendo que a banda estava em turnê na Ásia, o que os obrigou a recusar o convite. 
 
Dois shows em um festival na África do Sul foram cancelados após o baixista Tommy Stinson machucar o pulso. 
 
Chinese Democracy para acabar com a longa espera dos fãs




No dia 23 de novembro de 2008, depois de 13 anos de espera, o Chinese Democracy é lançado em todo o planeta. O disco já conseguiu a marca de 5,1 milhões de cópias no mundo e adquiriu um disco de platina nos Estados Unidos. Mesmo com o lançamento, os fãs tem mais um desgosto com Axl Rose já que a banda simplesmente não fez nada para promover o disco: nada de clipes, entrevistas e muito menos shows. 
 
A única coisa significativa foi o lançamento do disco no Rock Band. A banda anunciou em janeiro de 2009 o guitarrista DJ Ashba para substituir o guitarrista e compositor Robin Finck, que deixou o grupo para entrar em turnê com sua ex-banda, o Nine Inch Nails. Até agora não se sabe ao certo o motivo de sua saída. 
 
No dia 11 de dezembro de 2009 foi dado início ao Chinese Democracy World Tour (oficial, já que a "Chinese Democracy World Tour" começou em 2001, mas o álbum sequer havia sido lançado na ocasião). 
 
Essa turnê já prometia ser a maior turnê da banda, pois de seus quatro primeiros shows, três deles tiveram mais de três horas de duração (Taipei, Seul e Tóquio). Para a surpresa de muitos fãs, o Guns N' Roses voltou a tocar covers que não entravam mais no repertório, como "Whole Lotta Rosie" do AC/DC e "Nice Boys" do Rose Tattoo. A turnê também marca o novo visual de Axl Rose, agora com cabelo liso e curto, e uma bandana, sempre de calça jeans e camiseta de cores variadas. 
 
No show em Osaka, o álbum Chinese Democracy quase foi tocado na íntegra, faltando apenas a faixa "Riad N' The Bedouins". 
 
Em 2010, houve uma série de shows pelo Canadá.13 no total. Além disso, a banda fez dois shows acústicos nos Estados Unidos. 
 
A última aparição do Guns foi na América do Sul, fazendo uma série de shows, onde cinco desses foram no Brasil - Brasília, dia 7; Belo Horizonte, dia 10; São Paulo, dia 13; Porto Alegre, dia 16 e no Rio de Janeiro, dia 04 de abril (remarcado para o dia 14 de março, devido às chuvas que destruíram a estrutura da Apoteose). Esses shows em terras brasileiras foram abertos por Sebastian Bach. 
 
Agora a banda passa a sua turnê pela Europa, onde estará presente em vários países. Logo depois será a vez da América do Norte, para os shows no EUA, onde por fim encerrará a grande Chinese Democracy World Tour. 
 
Na sequência, como todos nós passamos a saber há um mês, o Guns volta a tocar no festival e na mesma cidade responsável por seus dois maiores públicos da história. Axl Rose e Cia., voltarão ao Rio de Janeiro para participar do Rock in Rio 2011. 
 
 
 
 
Maiores Informações Em:
 
 Guns n´ Roses
 

19/09/2011

Guns n´ Roses - Rock In Rio 4 - 02/10/2011 - Parte 2

Por Wilson Hebert 

Uma história difícil, de bastante luta, de persistência e de uma busca incessante pela perfeição, o que retrata bem o estilo do eterno líder do Guns, Axl Rose. Quem já pôde comparecer a um show da banda, sabe bem como é isso. A apresentação do GNR não se resume a presença de palco e boas músicas. É muito além. Necessita de uma estrutura minimamente decente, capaz de agradar ao público com uma pirotecnia para ficar guardada na memória. 
 
Confira como foram os capítulos do Guns N’ Roses posteriores ao primeiro CD aqui na parte 2 do especial. 
 
Guns lança o segundo disco: Lies. A primeira fase da repercussão é de sucesso



Axl Rose tinha uma meta: a de melhorar sempre. Tendo conhecimento da história do músico, da banda e lendo entrevistas de pessoas que conviveram e convivem com o cantor, podemos dizer que sua paixão é a evolução. A todo momento. Não importando o que for necessário fazer. Com esse objetivo traçado, Axl resolveu fazer algo diferente no segundo disco da banda, que seria batizado como Lies. 
 
Em 1988 a Geffens acaba com a expectativa dos fãs da nova banda de Hard Rock da Califórnia e lança o seu mais novo CD. Nele, há oito canções. Quatro inéditas mais as quatro do EP Live Like a Suicide de 1986. Enquanto as canções velhas conhecidas da banda reforçam o tom agressivo e rápido do apresentado no primeiro ano de carreira profissional, as outras oferecem algo mais lento, mais balada, com instrumentos acústicos. 
 
Inicialmente, a dosagem pareceu dar certo. O Guns arrebatou mais e mais fãs nos EUA. Se antes eram apenas adolescentes “metaleiros” que matavam a saudade do esquecido Hard Rock de anos anteriores, agora jovens, adultos, mulheres apreciadores de músicas românticas e etc. passam a admirar a banda. O disco recoloca o GNR nas paradas de sucesso, chegando ao segundo lugar da Billboard. Um detalhe, o primeiro colocado era justamente o disco Appetite for Destruction, o de lançamento da banda. O Guns N Roses foi a primeira banda de Hard Rock a emplacar dois discos de uma vez entre os mais vendidos. Uma música que colaborou muito para isso foi a que mais fez sucesso desse segundo CD: Patience. 
 
 
 
Segunda fase da repercussão de Lies: Discussões, brigas e processos 
 
A mídia dos EUA possui uma velha e tradicional mania de rotular bandas e cantores de acordo com o que eles produzem em cada CD. Com o Guns não foi diferente. O aumento expressivo de fãs, os shows cada vez com um público maior e uma aceitação imensurável das suas músicas, a imprensa especializada passou a rotular a banda – antes conhecida como a mais perigosa do planeta – de eclética, aquela que agradava a tudo e a todos. Se por um lado isso foi positivo para o marketing, já que retratava o crescimento do trabalho, foi bastante maléfico na interpretação dos primeiros fãs, fanáticos por Hard Rock, que começavam a chamar o Guns de “mais novo lixo comercial”. Como não podia deixar de ser, isso gerou polêmicas, brigas e discussões. 
 
Na tentativa de recuperar o prestígio desses fãs mais radicais, os músicos resolveram escancarar para todos seus modos e estilos de vida. Tornava-se bastante comum entrevistas e aparições em público dos integrantes do Guns bêbados, falando palavrão e participando de orgia. Nisso, começava uma nova fase que parecia ser intensa: a das drogas. 
 
Como todo vício, o mais perigoso dele trouxe um complicadíssimo problema para a banda, que é a dificuldade em se controlar. Algo muito chato começava a acontecer com freqüência, que era os integrantes chegarem drogados aos estúdios da Geffen para gravações, isso quando não resolviam se drogar por lá mesmo, na frente dos produtores, sem nenhuma preocupação. Slash era quem mais abusava “das químicas”. 
 
Numa primeira discussão entre um produtor e Axl Rose, o vocalista teria dito as seguintes palavras: “cale-se, sou eu quem mando aqui!”. Enquanto isso, discussões começavam a acontecer também entre os próprios músicos, mas por outro motivo: as preferências musicais a serem inseridas nas próximas músicas.  
 
Em meio a tanta confusão, a imprensa começava a buscar mais detalhes sobre os desentendimentos. Eis que surgiu uma nova mania de Axl e companheiros: as agressões a repórteres de forma física, verbal ou moral. Em diversos momentos, os integrantes do Guns não aceitavam responder perguntas sobre suas vidas particulares e apelavam para comentários sobre a vida particular dos jornalistas mais famosos dos EUA, o que fez boa parte deles processarem integrantes da banda. 
 
Em um desses “pegas-pra-capá”, um dos jornalistas que havia processado Axl e o próprio cantor acabaram se encontrando frente a frente para uma entrevista após um dos shows. Resultado: pancadaria entre os dois. Os fãs e a mídia passava então a conhecer o outro lado do líder da banda. Além de perfeccionista, Axl Rose se mostrava também pavio bastante curto.



Aborrecido com alguns boatos que surgiam sobre si a sua banda, Axl e os companheiros em vários momentos passaram a abandonar shows em pleno andamento, a cancelar apresentações nas vésperas e até mesmo no dia. Em outras ocasiões, se apresentavam tão bêbados, mas tão bêbados, que mal conseguiam tocar. Além de jornalistas, o Guns passava a se desentender e chegar a vias de fato também com os próprios fãs, que compravam o ingresso para vê-los e acabavam surpreendidos com o cancelamento ou o término dos shows antes da hora. 
 
Graças ao mau comportamento, Geffen Records ameaça rescindir o contrato com o Guns N' Roses 
 
As brigas entre Axl e produtores já estava sendo encaradas como normal. Havia se tornado algo rotineiro. Mas a coisa chegou num ponto tão insustentável para a produtora, que o seu dono, David Geffen, aquele que havia ajudado bastante no início da banda resolveu dar um basta entrando de sola na confusão. Ele chamou Axl para uma conversa objetiva. Na verdade, uma ameaça: “ou vocês mudam o comportamento, ou a gente coloca um fim no contrato”. 
 
Foi nesse momento que Axl Rose percebeu que tudo estava sendo feito de forma exagerada. Passava um filme na sua cabeça, lembrando do dificílimo início, com participação determinante de David para o sucesso e o atual momento, de drogas e brigas. Então o líder da banda resolveu tomar uma atitude. Em uma reunião na casa (como sempre) de Izzy, Axl deu um ultimato para seus companheiros: “se vocês não pararem com as drogas, vou demitir todos vocês”.



Slash, que na contramão de todas as brigas começava a ser reverenciado como um dos melhores guitarristas daquele período, mas que começava a se afundar no vício da heroína, resolveu peitar o líder da banda e responder a altura: “Axl, você não tem moral nenhuma pra mandar a gente parar com as drogas. Você é um dos que mais vive doidão e xinga todo mundo quando está ‘sob efeito’”. 
 
Apenas ditando ordem, seria difícil haver alguma mudança. Portanto, Axl tomou uma nova iniciativa. Começou um tratamento para se livrar dos vícios. Até mesmo porque, até hoje, o líder do Guns possui uma enorme admiração por David Geffen, que atualmente é um amigo particular do vocalista. Essa atitude era uma demonstração de reconhecimento por tudo aquilo que o dono da gravadora tinha feito pela banda. Os companheiros se solidarizaram com a causa e passaram a ser mais discretos no que diz respeito a uso de drogas e bebidas alcoólicas. Ou pelo menos tentaram ser mais discretos... 
 
Nova fase? Vocês que pensam... Os problemas se agravaram, mas o sucesso continuou 
 
Com um pacto feito em favor do bom trabalho, o Guns começava as gravações do seu terceiro disco, que seria duplo. Use Your Ilusion I e Use Your Ilusion II. Axl parecia bem disposto e com muita vontade nas gravações. Mas quem disse que o pacto foi um sucesso para os outros integrantes da banda? Slash abusava de chegar debilitado nos estúdios. Cada vez ele estava mais viciado em heroína. Pior caso foi do baterista Steven Adler, cada vez mais afundado no vício da cocaína. 
 
No início o musico até conseguia driblar o efeito da droga, se utilizando da eletricidade causada pela substância para tocar a bateria de forma mais rápida, num ritmo totalmente alucinante. Fato que era aprovado pelos integrantes. Mas como todo usuário da droga, não tardou para chegar o momento de prejuízo a saúde. Na primeira gravação oficial da música Civil War, o baterista não agüentou a alta dosagem consumida horas antes e desmaiou em meio à gravação. Como medida exemplar, Axl o expulsou da banda dois dias depois. Para seu lugar, chamou Matt Sorum, que tocava no The Cult e havia participado dos primeiros shows da banda. 
 
Outro que abusou de criar encrencas foi o guitarrista Izzy Stradlin. Primeiro urinando no chão de uma aeronave, o que resultou num processo no qual o músico teve que desembolsar três milhões de dólares. E meses depois, ao se envolver numa pancadaria com Vince Neil, vocalista do Motley Crue, no qual o integrante do Guns acabou levando uma surra e precisando ser hospitalizado.  
 
 
 
Mas as mudanças não se resumiram a bateria. Na intenção de ampliar as riquezas instrumentais da banda, Axl Rose uniu o útil ao agradável e resolveu dar uma força a um amigo que, a exemplo do passado do cantor, passava por dificuldades financeiras, tendo que vender seus equipamentos para comprar comida. Então Axl chamou o tecladista Dizzy Read para compor o Guns. O empresário da banda havia reprovado a idéia. E numa discussão com Axl também foi expulso da banda pelo próprio cantor. 
 
Divulgação de Use Your Illusion, que sairia em CD e DVD e convite para tocar no Rock in Rio



Numa tradução interpretativa do nome do novo disco, o Guns passava a seguinte mensagem para seus fãs: use suas ilusões, ou seus sonhos, seus desejos. O que a banda queria dizer com isso? Não importa o que digam, o que aconteça, os obstáculos que apareçam, mas você deve sempre correr atrás dos seus sonhos, jamais desistir deles. Era o mais novo lema de Axl Rose àquela altura. 
 
Com a nova formação, o novo empresário da banda, que também era fã, já chegava com uma novidade: “Vamos nos apresentar para nosso público da América Latina? Tenho aqui uma proposta de participação no Rock in Rio. Seremos o principal concerto do nosso dia”. 
 
O festival já era do conhecimento dos integrantes, dado o sucesso que foi na sua primeira edição, em 1985, bem na época em que a banda começava a trilhar seu caminho. Axl até chegou a assistir alguns tapes das apresentações do Rock in Rio I, inclusive a da banda inglesa Queen, na qual o líder do Guns sempre foi fã e que foi usada como exemplo em juízo, quando a banda foi acusada de apologia a homofobia e ao racismo, graças à música "One in a Million", que mencionava "niggers" (negros) e "faggots" (bichas). Slash também interpelou as acusações dizendo que não aceitaria qualquer discriminação racial na banda, já que ele era filho de negros. 
 
No Rio de Janeiro, Guns alcança seu recorde de público e ganha maior projeção 
 
 
 
Maracanã, templo do futebol, cartão postal da cidade mundialmente conhecida como Cidade Maravilhosa. Palco de grandes shows, de momentos marcantes de grandes nomes da musica. Era lá que iria acontecer a segunda edição daquele que seria o maior festival de música da América Latina. O Guns N’ Roses tocou em dois dias. Em 20 de janeiro de 1991, colocou nada menos que 140 mil pessoas no estádio para assistirem ao seu show. No dia 23, foram mais 120 mil. 
 
O Guns já era um dos ícones do rock na época e seus shows foram dois dos mais aguardados do evento. Serviram também para marcar as estréias de Matt Sorum e Dizzy Read na banda. 
 
Com o sucesso mundial que foi a sua participação no festival, em maio do mesmo ano a banda partiu para a mais nova turnê, de divulgação dos discos Use Your Illusion, lançados meses depois. A primeira cidade a receber o grupo foi a americana East Troy, Wisconsin. A temporada de shows durou 26 meses, contabilizando 192 shows, em 32 países. A banda Skid Row abriu a maioria das apresentações. 
 
Enfim, Use Your Illusion é lançado 
 
 
 
Esse disco duplo foi um marco da banda. Pela terceira vez consecutiva, com três álbuns lançados, a banda alcançava o topo da Billboard. O mais incrível foi que em dado momento, o ranking da mais respeitada parada de sucesso dos EUA apresentava o seguinte: 
 
1° Use Your Illusion I e II (Guns N’ Roses) 
2º Appetite for Destruction (Guns N’ Roses) 
3º Lies (Guns N’ Roses) 
 
Foi uma época em que a banda passava a ser encarada como imbatível. Um verdadeiro ícone musical. Com fãs famosos, algumas canções do Guns passaram a ser bastante requisitadas, como, por exemplo, a do vídeo acima, You Could Be Mine, que foi pedida pelo ator e fã da banda, Arnould Schwarzenegger para fazer parte do seu filme, “O Exterminador do Futuro 2”. Mas para infelicidade do ator, ela acabou não entrando na trilha sonora. 
 
Uma trilogia dentro do álbum 
 
 
A música November Rain traz consigo alguns fatos importantes. O primeiro deles, é que seu clipe oficial foi eleito pela MTV como o melhor já lançado na última década e um dos melhores de todos os tempos. A história contada pode ser vista no vídeo acima. Outro fato é que ela compõe uma trilogia dentro do próprio Use Your Illusion, da qual fazem parte, além desta, as canções Estranged (UYI II) e Don’t Cry (UYI I), que foram produzidas em homenagem ao conto "Without You" de Del James, jornalista e amigo de Axl Rose. Aliás, essa última canção citada também traz uma história inusitada. Ela foi escrita por Axl e Izzy e se refere a uma garota que namorou ambos. 
 
Aliada a essas três que compõem a trilogia, temos também a música Knockin’ on Heaven’s Door, que forma o time de baladas do disco e são exaustivamente exploradas pelas rádios e pela MTV, saciando, assim, a fome dos fãs pelas novas produções da banda. 
 
Outro destaque do CD é a música Coma, com mais de 10 minutos de duração, com uma atmosfera intrigante do início ao fim, trazendo uma alternância interessante de ritmos e sons, que, com toda a certeza, de cara caiu no gosto do público do Guns. 
 
Turnê interminável causa crise mais séria na banda 
 
 
 
Com tanta fama e tanta badalação a turnê do novo CD parecia interminável, com shows e mais shows, horas e horas de estrada, viagens longas e cansativas. E nos intervalos de uma apresentação e outra, os integrantes da banda, principalmente Slash (já que Steven havia sido expulso) abusava do uso de drogas, o que irritava profundamente outro componente, Izzy Stradlin, o amigo de infância de Axl, que havia apresentado o guitarrista ao líder da banda. 
 
Após uma séria discussão entre Izzy e Slash no backstage horas antes de um show em Londres, o velho companheiro de Axl toma uma decisão que marcaria um divisor de águas na história da banda: o de deixar seus companheiros. Após o concerto, em que ele sequer olhou para Slash, na entrevista coletiva, foi anunciada pelo próprio o seu desligamento da banda. Gilby Clarke foi chamado às pressas para o substituir, com um show que estava para acontecer dali dois dias. 
 
Na mesma data da primeira apresentação do Guns, já nos EUA, Izzy afirmaria que estava de saída da banda por não agüentar o ritmo cansativo da longa turnê, tentando desmentir o fato verídico da briga com Slash, defendendo, inclusive, uma amizade existente entre ele e o guitarrista da banda. Izzy chegou a encerrar a entrevista dizendo torcer para que Slash encontrasse seu caminho.



Inegavelmente, isso havia causado um grande mal estar entre Axl Rose e “Mágico dos Riffs”. Primeiro porque Axl já não escondia de ninguém que se sentia incomodado com o excessivo uso de heroína por parte do guitarrista da banda. E segundo por que esse vício de Slash acabara contribuindo para a saída do melhor amigo do líder da banda. As discussões entre os dois mais famosos do grupo, que antes aconteciam uma vez por mês, passavam a acontecer quase que diariamente, tanto que em um show, Axl havia dado um esporro em público no seu guitarrista, por abusar da cocaína e muitas vezes se apresentar drogado. Na ocasião, Slash caiu na gargalhada. 
 
Mas pouco tempo depois, o guitarrista resolveu tomar uma decisão. Nem tão radical como a de Izzy, mas também importante e crucial. No meio da turnê, ele resolve tirar férias da banda. Simultaneamente aos shows do Guns pelo mundo, faz algumas apresentações solos, com convidados especiais, como Michael Jackson, Bob Dylan, Iggy Pop e Lenny Kravitz. 
 
Mas um acidente acabou reaproximando Slash, Izzy e Guns N’ Roses. Após Gilby Clarke sofrer um acidente de moto, quando quebrou o pulso, Axl apelou a Izzy por sua volta, pois não havia outro guitarrista base para ser chamado. Outro que também resolveu voltar, fora Slash, já com as pazes feitas com seu companheiro de guitarra, Izzy. 
 
Mas quando Gilby Clarke se recuperou e voltou a tocar, Izzy não titubeou e manteve sua antiga decisão. Ele voltaria a deixar o Guns. Dessa vez, sem muitas delongas, assumiu para a imprensa que a sua saída era devido a sua não aceitação de ver seus amigos se auto-destruindo nas drogas. Dessa vez Axl se conteve, já que ele também voltava a abusar do uso de bebidas alcoólicas como costumava acontecer no início da banda. 
 
Axl se perde no vício das drogas, se envolve em brigas, sofre processos e acaba sendo preso duas vezes 
 
Num dos raros momentos de folgas, Axl havia reunido amigos para uma bebedeira em sua casa. Após todos estarem devidamente embriagados, o vocalista do Guns N’ Roses infringiu uma lei dos EUA e colocou seu som nas alturas, de forma que toda a rua poderia escutar a música que tocava na residência do líder do Guns. Sua vizinha da casa da frente não pensou nem meia vez e foi até a porta de Axl reclamar do barulho. Resultado: Axl estourou uma garrafa de vinho na cabeça de Gabriela Kantor e continuou com o barulho. O marido da moça chamou a polícia, que levou o cantor preso. Na chegada à delegacia, bêbado e algemado, Axl xingou um repórter que perguntava o motivo dele estar sendo detido. 
 
Já solto, num show em Montana, Axl se envolveu em nova confusão. Dessa vez com um fã. No meio do show, após ter tocado nove músicas, o vocalista se demonstrou bastante irritado com um flash que a todo o momento era disparado contra seus olhos. Então resolveu descer do palco em direção a platéia. Ele queria achar o dono da câmera e pediu ajuda aos seguranças. Quando Axl encontrou o “fotógrafo”, não teve jeito, partiu para as vias de fato, mesmo com três seguranças tentando segurá-lo. Após bater no fã, Axl quebrou sua câmera. 
 
Nove dias mais tarde, o Guns N’ Roses se via em nova situação. Durante uma apresentação num famoso teatro dos EUA, boa parte do público ali presente protestava contra as recentes agressões de Axl contra sua vizinha e seus fãs. O líder do Guns então resolveu parar o show e disse no microfone que só retomaria a apresentação após a segurança retirar os “baderneiros”. O pedido foi atendido. 
 
Ainda no mesmo mês, nova surpresa. As confusões estavam surgindo numa enxurrada, uma atrás da outra. E por esta, os músicos do Guns não esperavam. Um antigo parceiro, o ex-baterista Steven Adler, em fase de recuperação das drogas, resolveu entrar com uma ação judicial contra seus ex-companheiros. Ele alegava que a rotina de drogas da banda o influenciou a se afundar no vício da heroína. 
 
Após o polêmico processo, Axl foi novamente preso. Após desembarcar no aeroporto JFK, portando uma alta quantidade de cocaína, o vocalista foi preso pela polícia nova-iorquina, que abafou o caso dizendo se tratar de uma operação rotineira, onde os passageiros que desembarcam bêbados nos aeroportos são acompanhados pela polícia até o hotel ou sua residência. O líder do Guns foi solto no dia seguinte após pagar uma generosa fiança. 
 
De volta ao Brasil, o Guns entra em colisão com a imprensa brasileira




No último show da banda antes de desembarcar em São Paulo, que aconteceu no Canadá, duas mil pessoas causaram uma confusão generalizada, chegando a quebrar boa parte da estrutura da casa de show. Motivo? O Guns subiu ao palco com uma hora e meia de atraso e terminou o show após míseros 15 minutos. 
 
A imprensa brasileira não poupou a banda e caiu em cima, explorando de todas as formas as polêmicas que os músicos haviam se envolvido nos últimos meses. Já na capital paulista, a primeira confusão aconteceu no saguão do hotel onde a banda estava hospedada. 
 
Todo mundo sabia e mesmo assim a assessoria da banda ainda se deu ao trabalho de avisar que o Guns N' Roses, costumeiramente, só dava entrevista após os shows. Mas os jornalistas de São Paulo (e os veículos de outros locais do Brasil que cobriam a show, como os jornais do Rio de Janeiro, que seria a próxima parada do grupo), não deram a mínima para o aviso e se aglomeraram na entrada do hotel para conseguir uma “palavrinha" do polêmico artista. 
 
Extremamente revoltado com toda aquela bagunça instalada na sua chegada ao Brasil, Axl agiu como de costume, com um nervosismo descontrolado. Pegou uma cadeira do seu quarto, a levou para a entrada do hotel e a jogou em direção aos jornalistas. Os fãs que estavam acampados na entrada do prédio vibraram e gritaram o nome da banda de forma bastante entusiasmada. 
 
Já no Rio de Janeiro, mais uma confusão, novamente por culpa da imprensa. Da redação do Jornal O Globo não paravam de sair ordens para os jornalistas de plantão ligaram o tempo todo para o Copacabana Palace, onde o Guns estava hospedado, para conseguir falar com alguém ligado à banda. Do outro lado, Axl havia dado ordens para que nenhuma ligação fosse repassada para seu quarto. Depois de tanta insistência, o empresário da banda foi até a suíte máster de Axl Rose avisar que ‘o maior jornal da cidade’ queria de qualquer forma falar com ele, nem que fosse por cinco minutos. Revoltado com aquilo, Axl arrancou a tomada do telefone e jogou o aparelho pela janela. 
 
O fato, que aconteceu durante o dia, num fim de semana, chamou atenção dos inúmeros banhistas que estavam na praia de Copacabana. Muitos deles, após verem um aparelho telefônico voando de uma das janelas do Copacabana Palace, se dirigiram para frente do hotel e se juntaram aos fãs que lá estavam desde cedo. Uns aplaudiram e gritaram o nome da banda. Outros xingaram e protestaram contra as atitudes de Axl. A polícia acabou sendo reforçada para acabar com a confusão que se formava. 
 
Já de volta aos EUA, Axl afirmou numa entrevista a uma revista norte-americana que havia jogado no lixo o tênis que havia pisado em solo brasileiro e que a imprensa do nosso país era a pior que ele havia tido contato. As pazes entre jornalistas brasileiros e Guns só foi retomada em 2001, quando a banda voltou para tocar no Rock in Rio III. 
 
Continua...